A estação do Pântano.

A primeira postagem do vapor mínimo em 2012 não poderia ser melhor. Acima vemos uma foto muito rara, enviada via internet pelo amigo Ralph, onde vemos o Trenzinho da Aurora estacionado na mítica estação do Pântano, um importânte bairro rural de Descalvado. Até então, não haviam fotos conhecidas dessa estação.
A estação do Pântano tem para mim, uma importância sentimental grande, pois minha avó nasceu e cresceu neste bairro rural, e la viveu até se casar, quando veio para São Paulo, e aqui faleceu. Toda uma parte da minha família era de la, e muitos parentes, incluindo tios e tias – avós viveram la.
Esta estação foi fundada em 01/03/1891 e demolida logo com o fechamento do ramal em 1959. Ela possui características bem parecidas com a estação da Aurora. Em suas fundações fora erguida uma casa. Atuamlente não existe mais nada no que foi o bairro do pântano, e tudo tornou-se propriedade particular e foi cercada, a cana de açúcar dominou a paisagem. triste fim de um local tão próspero. No caminho para o pântano, o trenzinho fazia uma grande curva e subia para poder desviar da cachoeira do pântano. Lembro também que perto desta cachoeira existia um armazém de secos e molhados onde se vendiam remédios. Na frente do armazém existia uma grande planície que era um brejão (este armazém ficava em terras da fazenda graciosa). A estação do pântano era comum, assim como a estação da Aurora, possuía um armazém ao seu lado que era para o embarque do café e grãos, a sua frente, possuía uma estradinha de terra e a casa do chefe da estação. Era muito bonito na estação, existiam grandes arvores de magnólia ao lado dela.”  (relato de Sofia Arósio Franzin, extraido do livro “O Trenzinho da Aurora” – 2008).
Na foto, o trem que esta parada compreende 3 carros, sendo um composto )primeira e segunda classes) e dois de segunda classe. Os dois primeiros são de fabricação “Jackson Sons & Co.”, construidos nos EUA em 1891, e o último, um carro de fabricação nacional “Cia Constructora” de 1888. era um domingo nessa foto, por isso da maior quantidade de carros na composição. Infelizmente não da pra ver a locomotiva e, provavelmente, também há um carro de correios e bagagens no trem. 

Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

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