A Mogiana e a Usina Esther, uma história.

Talvez essa seja a última postagem do ano de 2012, e escolhi um tema que muito me agrada para isso, que é a arqueologia industrial, mais especificamente desvendar os segredos das locomotivas. A locomotiva da foto acima, vista em duas épocas, acima foto que eu tirei este mês (12/2012) e abaixo foto do acervo da usina, nas primeiras décadas do século XX (anos 20 ou 30). Esta pequena e simpática locomotiva é uma Sharp Stewart fabricada em 1888 sob número de série 3484 e número de estrada (na Usina Esther) 1.
Esta maquina é um certo mistério que, a grosso modo, é tida como “Ex Cia Mogiana” e ponto. Porém, alguns dados não batiam, tal como os números de série que, na CM, eram diferentes dela para as outras locomotivas “irmãs”. Fato é que, ao pesquisar nos relatórios da CM, deparei-me com uma informação bem interessante. Em 1897, no relatório número 45 no setor de locomoção aparece a informação “… cedida por esta Companhia à Companhia Carril Agrícola Funilense, a machina nº 27 da bitola de 0,60, foi encomendada para substituí-la uma locomotiva Baldwin do typo Mogul…”. Chego a conclusão que foi uma permuta entre a CM e a CCAF, para a construção desta ferrovia, que viria a ser inaugurada 2 anos mais tarde e, posteriormente alargada, daria origem as locomotivas e materiais da ferrovia da usina, que também foi fechada provavelmente no início dos anos 60. A pequena locomotiva foi posta em um pedestal na entrada da açucareira, e por la se encontra em muito bom estado, completa. Digo que é a locomotiva “monumento” mais inteira que eu já vi, levando em conta que até o vidro do nível de água esta no lugar inteiro!
Logo, podemos dizer que esta locomotiva pertenceu a 3 ferrovias, sendo Cia Mogiana de 1888 até 1897 sob número 27, Cia Carril Agrícola Funilense e Usina Esther de 1897 até o fechamento, sob número 1. Seu nome, “Dr Paulo Nogueira” em homenagem ao fundador da usina, cuja chama-se Esther em outra homenagem, desta vez a sua mãe.
Não posso afirmar categoricamente que estou coberto de razão, mas depois de comparar datas e números, e ler os relatórios, esta foi a conclusão mais próxima do que eu imagino ser o real. Esta locomotiva não foi a única permutada, houve outra, mas esta já é uma nova história.
Feliz 2013!
 

 

Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

2 comments
  1. Leandro, estou fazendo uma lista com as locomotivas a vapor da Cia. Mogiana, e pelo que eu pude ver, as locomotivas da estreita tiveram várias numerações diferentes (algumas chegaram a ter 5), quando nas da métrica tiveram no máximo 2 números diferentes.
    Das 12 locomotivas da estreita, já consegui informações de 7, as outras pra mim é um mistério (alguma dessas provavelmente é a fabricada pela Decauville, única desse fabricante na CM). Das 7, três são Sharp Stewart, uma é essa da postagem, a outra é sua irmã nº6 da Funilense, e a última é a nº70/4/3/1 “Brumado”, número do fabricante 3762, feita em 1892, vendida para a Usina Pumati em Palmares – PE.
    As outras 4 seriam Baldwin, sendo 3 as que foram vendidas para a Usina Santa Teresa (em Goiana – PE), sendo uma a que está agora na Brecon Mountain Railway. A outra seria a nº7 da Usina Esther.
    Queria saber se estas informações estão corretas, e se você sabe das outras. Abraço e Feliz 2013.

    1. Thakes, boa tarde. Me mande um e-mail em guidini@gmail.com. Eu tenho bastante coisa de renumeração de locomotivas da CM. Vc vai achar tudo isso nos relatórios anuais. Abçs.

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