A reversão Stephenson.

Bem, sem muitas delongas, o sistema Stephenson foi criado, como seu nome ja diz, por Robert Stephenson. Realmente não conheço a história de tal criação, é uma falha, concordo, mas ha tanto a se estudar sobre locomotivas a vapor que algumas coisas fogem ao nosso alcance.
O que posso dizer, tecnicamente, é que esse sistema é tão bom que foi largamente utilizado no planeta inteiro por diversos fabricantes de locomotivas a vapor.
É um sistema muito presciso, de fino ajuste “na marcha”. É assim pois tem menos pontos de desgaste, perto de outros sistemas reversores. Menos desgaste, menos folgas, menos bateção de peças, etc.
O principio é o seguinte: São dois colares (ou violas, pois tem um formato parecido) presos em um exêntrico cada em cada lado do eixo, esses são ligados por pequenas bielas no “link” (ou quadrante), um em cima e outro em baixo. Um dos colares faz o movimento avante, e o outro o movimento à ré, dependendo da posição que ele esta. Esta posição quem define é a alavanca de marcha. Movendo-a para frente, coloca-se o link “para baixo”, sofrendo influência de apenas um dos colares – de movimento avante. Movimenta-se a alavanda pra tráz, ela puxa o link pra cima sendo influênciado pelo outro colar. Não vou entrar no mérito de “recuar a marcha”, mas quanto mais proximo ao centro a alavanca estiver, mais influênciado pelos dois colares o link estará, e menor será o movimento de abertura e fechamento das luzes de admissão na valvúla, isso regula a expansão do vapor no cilindro, basicamente assim. Poderiamos ainda falar sobre o recobrimento, sobre os tipos de barras cruzadas e suas afetações na admissão, sistemas externos utilizados pelas locs alemãs, etc etc… isso é tema pra tese de doutorado!
Voltando as peças, pois bem. No link encontramos o dado, ou cepo, ou galé, que é a peça que transmite o movimento de vai-e-vem para um outro conjunto de alavancas que, ai sim, movimentam a valvula deslizante sobre o cilindro, abrindo e fechando as luzes de admissão. Este dado esta conectado a uma peça que conheço pelo nome de “hoker”, uma especie de manivela presa a um mancal, que é conectada a haste da válvula.
Parece tudo muito complicado, mas na verdade não é. Vide desenhos, compare as informações e nomes com os descritos no desenho, e imagine o movimento.
O desenho segue anexo ao do cilindro, visto em corte, para terem uma ideia de como são os cavernames da fundição, e por onde o vapor passa. Este cilindro tem sua valvula do tipo “slide” (deslizante). Esse nome deu origem ao abrasileiramento da coisa, que hoje escutamos generalizadamente por “cilaide”. Portanto a “slide valve” tornou-se o brasileiro cilaide, simples!
Outra coisa que não podemos deixar de falar. O sistema Stephenson também evoluiu e caiu no obsoletismo, por um simples fato. Sua manutenção eram mais chata, ja que, em 90% deles eram internos ao longerão (chassis), e a maquina deveria sempre ir pra uma vala em uma oficina pra ser feita sua manutenção.
Quando o outro famosissimo sistema “Whashertz” foi colocado em ação, ele vinha com o advendo de ter todas as suas braçagens externas ao longerão. A manutenção poderia ser dada em qualquer lugar, em qualquer hora. O movimento deste é lindo, e classico, parece um balé mecânico, mas ele é mais impresciso pois tem mais pontos de atrito, só que isso é outra história.
Gosto dos dois tipos, são os mais classicos e os mais bonitos. Com o tempo, vou estudar mais e aprender mais sobre eles, Abraços!

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