Aniversário de 100 anos de uma bitolinha.

As três fotografias acima tratam da mesma locomotiva. Esta é uma Baldwin de 1911, construída em dezembro, que leva o número de série 37399 (como visto na foto de sua placa, ao lado).
Este mês ela completa 100 anos de “vida”, isso não é para qualquer máquina, é bastante coisa se pensarmos o quanto especial esta locomotiva é para nossa história. Vejamos.
Ela começou sua carreira sendo encomendada pelo Tramway da Cantareira, onde trabalhou sob o número de estrada 2. Com o alargamento da bitola de 60 cm para 1 metro após os anos 40/50, ela foi vendida para a Estrada de Ferro Perus Pirapora, cuja foi renumerada para 17, e por la permanece até os dias de hoje, em tutela do IFPPC. Faço parte do IFPPC, e a ela nós dedicamos o nome de “Adonirã Barbosa”, o criador do famoso samba “trem das 11” (que também é musica símbulo da capital paulista, São Paulo). Este samba, de enredo simples e contagiante, com seu refrão “…moro em jaçanã, se eu perder esse trem, que sai agora as 11 horas, só amanhã de manhã…” foi inspirado nos serviços prestados pelo TC na época que esta locomotiva por la trabalhava ainda!
Sempre queimou lenha, e na EFPP foi adicionada de uma chaminé do tipo Para-chispas (o famoso balão), e algumas modificações foram feitas, como a troca da cabine, por exemplo. Na EFPP, trabalhava em Cajamar manobrando as gôndolas de minério para formação dos trens, porém, no final da EFPP ela chegou a trabalhar em tração dupla com a locomotiva 18 tracionando os trens até a fábrica de cimento. Foi garimpado um video muito raro que mostra ela funcionando, retirado do filme “os queixadas”, segue o link no youtube.
Ela é muito particular em sua configuração de rodagem, sendo uma das poucas 2-4-0 que existem pelo Brasil (e pelo mundo também). Ha um amigo australiano, Peter Manning, que desenhou ela completa, em suas duas versões (TC e EFPP), em 3D, um magnífico trabalho, que contou com a ajuda de alguns aficcionados aqui no Brasil, incluindo eu mesmo, tudo via e-mail.
Gostariamos de ter tido a oportunidade de fazer uma comemoração, ou porque não, ter conseguido restaura-la como “presente de aniversário”.
Mas ela sem dúvida ira voltar a ativa, breve pois, esta imponente e histórica locomotiva é de fundamental importância para todos nós. Fica aqui minha humilde homenagem a pequena-grande “ADONIRÔ (chamarei assim, pois é injusto chama-la pelos números…).

Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

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