As locomotivas 2-6-0 da Cia Paulista

Esta locomotiva da foto acima, foto esta que é um fragmento de uma imagem já publicada neste blog, da inauguração da estação de Santa Olivia em 1913, traz a fotografia de uma das duas locomotivas 2-6-0 originais do Ramal Férreo de Santa Rita. Eram duas locomotivas, de abril e maio de 1889, SN 10413 e 10414. Possuíam um pequeno tender de dois eixos e chaminé balão, com cabines de madeira. Estas pequenas locomotivas operaram desde a inauguração do RFSR em 1889 até a compra deste pela Cia Paulista em 1891, e continuaram operando até serem encostadas em 1914, baixadas e vendidas definitivamente em 1916.
Exatamente ai começa um “mistério” que envolve essas locomotivas. Qual teria sido sua destinação? Tempos atrás, recebi via internet algumas fotos que foram publicadas em um livro do Município de Cajamar, onde duas fotografias me intrigaram. Esta ao lado e a próxima, abaixo. Tais fotografias me deixaram com uma pulga atrás da orelha, e me fizeram remoer perguntas sem resposta sobre um certo “pedaço” de locomotiva que esta na fila-da-morte da EFPP.
Notem que esta foto mostra parte da cabine e o tender, exatamente igual ao da foto acima, ainda no ramal de Sta Rita. A cabine possui as mesmas duas “almofadas” de madeira, e o tender possui dois eixos também. Esse detalhe me lembrou que existem pelo menos 3 outros tenderes pequenos “remendados” em outros tenderes maiores nas locos da EFPP. Um deles pertencia a loco 11, ex ramal Dumont, mas e os outros 2? Somente posso supor que eram destas locomotivas, ou pelo menos de uma delas.
Na foto abaixo, pra mim veio a confirmação exata. Vejam que a configuração da locomotiva é chaminé – areieiro – sino – domo – cabine. E esta locomotiva, em gato preto nos anos 20, tem exatamente esta mesma configuração, com detalhes surpreendentemente iguais, tais como a única válvula de segurança grande no domo, a chaminé “reformada” com um cone de chapa de ferro apoiado no pescoço fundido original da chaminé balão (que foi retirada por algum motivo). O farol arredondado é a única coisa diferente, mas esta é uma peça intercambiável com qualquer outra, e pode até ter sido a própria CP que o trocou um dia, modernizando os antigos faróis quadrados – a querosene – modificados para acetileno – por faróis mais “modernos” arredondados, próprios para a queima do gás acetileno. O próprio gerador de acetileno esta na mesma posição! (note próximo a cabine, um pequeno cilindro de cobre).
Desta forma, não seria contraditório supor com uma grande margem de certeza que trata-se da mesma locomotiva. Alguns dados, evidentemente, conflitam-se nessa história, se apenas nos basearmos nessas fotografias, como por exemplo, o formato das rodas. Na foto acima, os contra-pesos começam nos aros, e acabam no cubo da roda. A locomotiva da fila-da-morte tem contra-pesos nas rodas em forma de “banana”, que começam nos aros, mas acabam no meio dos raios. Mas não podemos esquecer que são duas locomotivas e, verdadeiramente, não podemos dizer qual é qual, pois em nenhuma das fotos conhecidas delas como RFSR conseguimos ver nitidamente seu número e suas rodas. Sempre há alguém ao seu lado ou na sua frente!
Existe outro fato. Há quem afirme que aquele longerão pertenceu a uma locomotiva (número 4), que tem características bem interessantes. Chamava-se “Dr Florindo Beneducce” (as fotos acima, no gato preto, são de propriedade da família Beneducce), tem um tender de 2 eixos muito parecido com esse, mas foi reformada e customizada com um tanque tipo cela, e seu areieiro trocado de lugar e uma cabine de aço posta pela de madeira. Uma reforma que, digamos, não tem tanta dificuldade de ser feita, e não interfere nas características mecânicas da locomotiva.
Bem certo é que, também, além da EFPP, o Ramal Férreo Campineiro possuiu  uma locomotiva nas mesmíssimas condições de pário com a 2-6-0 da CP. Segue na foto abaixo anexada para observação.
A bitola de 60 cm durou ate os anos 20 no RFC e, com seu fechamento, uma locomotiva ex RFC foi comprada pela EFPP (número 15 da EFPP). Mas porque não esta dita também ter vindo junto, figurando duas locomotivas iguais na EFPP, com uma delas baixada e a outra reformada? Ou quem sabe, a CP vendeu diretamente ao RFC, que vendeu novamente a EFPP e la foi reformada.
As datas batem, as iconografias também. Esta hipóstese, que considero bem interessante, pra mim é válida, e, até agora, foi a melhor resposta que consegui encontrar para estas locomotivas que apelidei de “O elo perdido”.

2 comments

  1. Sergio Romano

    Leandro,
    Certa feita o Nilson me enviou uma foto dessa locomotiva misteriosa da Perus, onde observei esses detalhes e mais dois ainda, que talvez tenha lhe passado desapercebido talvez pela definição das fotos, que são as porcas da tampa do selaite e o apito na lateral direita do domo.
    Quanto á troca de chaminés de balão pra cano de bota, era procedimento corriqueiro das ṕraticas das diversas ferrovias. Levantei essa hipótese com o Nilson referente a mais material do Ramal Férreo Campineiro ter ido para a Perus do que somente a 2-6-6T que perdeu o tanque e o jogo traseiro nas Pardalices (ou Perusadas) que sofreram as locomotivas.
    O outra locomotiva a que você se refere é a 2-6-0 de colar que sobrou só o chassis, essa eu tenho mais propensão a crer seja oriunda da Usina Monte Alegre.
    Seria interessante tenar obter a codificação Baldwin existente na face do selite da sela dos cilindros, ela é visível do lado de fora, esta na borda… dai podem surgir mais pista pro quebra-cabeças.
    Sds,
    Sergio

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