As locomotivas “Montanha” da São Paulo e Minas

Tratamos agora de contar, resumidamente, a história das maiores locomotivas da bitola de 60 centímetros que circularam em território brasileiro.

Fotografia de fábrica das poderosas montanhas da EFSPM
Fotografia de fábrica das poderosas montanhas da EFSPM

Corria o ano de 1922, e as coisas não iam bem para o financeiro da Estrada de Ferro São Paulo e Minas (SPM), que, desde seus primórdios em 1890, mantinha uma história muito complexa (clique aqui para conhecer sua história). Nesta época era fundada a Cia Eletro Metalúrgica, em Ribeirão Preto, que mostram interesse na SPM para, através de um  ramal que deveriam construir, ter acesso mais facilitado até as jazidas de ferro de onde vinham sua matéria-prima, próximo ao fim da linha da SPM, em MG. Desta forma, compram a deficitária SPM.

Entre as ações de sua administração, contrai um grande empréstimo de 8 mil contos de réis com o Governo de São Paulo para a construção do ramal de Ribeirão Preto à Serrinha e adquire através da empresa “Theodore & Wille Company” duas locomotivas a vapor e 25 gondolas para transporte de minério.

Foram fabricadas em 1926 pela alemã “Henschel & Sohn”. Duas poderosas “montain” 4-8-2, com números de série 20694/20695 sob numero de estrada 10 e 11. Foram, também, as únicas “montain’s” do Brasil e do mundo nessa bitola e, muito provavelmente, as mais fortes também.

Rara fotografia das montanhas em operação, ainda em sua bitola original
Rara fotografia das montanhas em operação, ainda em sua bitola original

O seu longo chassis era extremamente rígido, isto implicava em curvas muito abertas para o tráfego. Com o alargamento da SPM em 1940, estas duas locomotivas são levadas para as oficinas de Sorocaba da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) para serem alargadas junto de outras maquinas da SPM (fora escolhido a EFS pois na época do alargamento, a SPM estava subordinada a Secretaria de Transportes de SP, da mesma forma que a EFS). Não ha, no entanto, uma data correta de sua baixa até o presente momento. O certo é que entre 1940 e os anos 60 estas locomotivas foram demolidas, não restando nenhum exemplar deste tão importante ícone da tecnologia. (Leandro Guidini escreveu em 08-2016)

 

Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

2 comments
  1. Olá, Guidini. Eram comuns as locomotivas com três domos? Aqui pros nossos lados (Triângulo Mineiro e Goiás) acho que só vi locomotivas de apenas dois domos, sendo um deles o areieiro.

  2. Oi Guidini…
    essa locomotiva da EFSPM, não foram demolidas de imediato não, elas foram reformadas e tiveram seus
    rodeiros aberto pra bitola de 1 metro e tiveram
    os números alterados de 10 e 11 para 1 e 2 quando
    entrei na SPM elas estavam la ja como 1 e 2 e não
    conseguia trafegar devido a sua altura do lancherão (Chassis) que era baixo. ok

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