As menores locomotivas a vapor…

Bem vindos ao Vapor Mínimo. Por aqui encontrarão informações sobre as menores locomotivas a vapor e os trens de bitola reduzida (60, 76 e 80 cm) que circularam por São Paulo. É um tema interessante, ao lado das grandes e possantes locomotivas a vapor, dos importantes trens de carreira que levaram o desenvolvimento do Brasil, estas pequenas maquininhas tiveram um papel fundamental.
No estado de São Paulo, muitas fazendas e cidades se davam ao luxo da criação destas pequenas ferrovias, visando um melhor escoamento em sua produção, cafeeira  na maioria dos casos. La estavam elas, as pequenas maquininhas tracionando o grande peso, sendo responsáveis pelo sustento de muitas famílias, e o desenvolvimento do estado. As grandes ferrovias, por sua vez, incentivaram tais ferrovias, importantíssimas para aumentar seu numero de cargas. São as famosas ferrovias “cata-café”.
Nesta foto o trem parado na estação da cidade de Santa Rita do Passa Quatro, em SP. A cidade possuiu trilhos em bitola de 60cm, ferrovia fundada em 1891 pela bolsa cafeeira da cidade, logo encampada pela Cia Paulista de Estradas de Ferro. O pequeno trenzinho deixou saudades, quando a erradicação no fim da década de 50, mas foi fundamental para seu desenvolvimento, com ligação direta via trem a cidades importantes da época, como Porto Ferreira e Pirassununga.
As pequenas locomotivas tiveram atenção especial de suas fabricantes. Sua engenharia é especial e bem pensada, são pequenas mas são imponentes. Há algumas peculiaridades na maior parte da locomotivas de “bitolinha”. Possuem o chamado outside frame – chassis externo – com suas rodas internas a ele, e os belos contra-pesos ligados as braçagens. É uma característica bem comum nestas maquinas, cria uma nostalgia em seus admiradores. Suas caldeiras e instrumentos também são em menor dimensão. Tudo isso para melhorar a posição do centro de gravidade, cria uma estabilidade incrível nas locomotivas. São relativamente leves, pequenas, e tem uma relação peso-potência bem distribuído. Conclusão que arrastam, proporcionalmente, tanto peso quanto qualquer outra locomotiva.
Nas próximas postagens, tentarei aos poucos ir destrinchando esse assunto interessante e tão romântico, que são as menores locomotivas a vapor, O VAPOR MÍNIMO !

 

Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

5 comments
  1. muito bom mestre Guidini

  2. Muito boa idéia a desse Blog. Sugiro incluir alguma coisa relacionada ao live steam, na figura dos amigos Bottan, e Maminni, que são os 2 mestres no assunto. No mais, parabéns pela idéia.

    ab

  3. Entusiasticamente, saudo a chegada desse Blog, em exaltação ao Vapor Minimo.

    Salve a EFOM, o Tramwey da Cantareira, a Perus-Pirapora, a Douradense, e tantas outras, que tiveram “pequenas vaporeiras”

    Parabéns Guidini

  4. Lê ficou ótimo! Te dou todo apoio para divulgar sua paixão,
    bj.

  5. Prezado Leandro,
    Conversamos sobre ferrovias por alguns minutos no trem de Tiradentes, no último domingo.
    Muito interessante o blog, assuntos relacionados com patrimônio histórico e com formas mais inteligentes de desenvolvimento me interessam muito.
    Abraços,
    Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *