Category: Ramais Ferroviários

O ramal de Serra Negra

Tomaremos nota hoje a respeito de outro curioso ramal ferroviário. Desta vez citaremos a Cia Mogiana e seu pitoresco ramal de Serra Negra.  Como é sabido, as novas fronteiras agrícolas e a marcha do café na região de Campinas despontaram em meados do século XIX e, neste cenário, tornava-se natural a eclosão de novas cidades fundadas pelos descendentes dos desbravadores brasileiros originais que, frustrados na procura do já escasso ouro, viam futuro adquirindo sesmarias em locais mais ao sul da região mineradora, e empreendiam nas novas terras, com benfeitorias e novas atividades agrícolas, fato que culminou no segundo ciclo do açúcar paulista, e posteriormente deixaria tudo preparado para a referida chegada do café.

Trem de passageiros chegando na estação de Serra Negra

Este é o caso de Serra Negra. Oficialmente a cidade é fundada em 23 de setembro de 1828, com a autorização para elevação de uma capela por Lourenço Franco de Oliveira, no entanto, Continue reading

Estrada de Ferro São Paulo e Minas

Para conhecermos a história da Estrada de Ferro São Paulo – Minas (SPM) temos que voltar um pouco no passado e comentar sobre a primeira iniciativa ferroviária própria do município de São Simão, que somente então daria origem a esta interessante ferrovia, depois de longos períodos de uma história cheia de fases e curiosos desfechos.

Locomotiva número 1 da SPM, original da Cia Melhoramentos nomeada "São Simão", renomeada como "Rio Pardo". Baldwin de 1891, número de série 12227
Locomotiva número 1 da SPM, original da Cia Melhoramentos nomeada “São Simão”, renomeada como “Rio Pardo”. Baldwin de 1891, número de série 12227

Faz-se importante ressaltar neste ponto as constantes brigas judiciais entre as grandes ferrovias paulistas, elencadas aqui através da Cia Paulista (CP) e a Cia Mogiana (CM). Desde a perda de concessão para chegar até a região de Ribeirão Preto, colocava-se a CP (por intermédio de seus acionistas) em todas as iniciativas de construções de ramais Continue reading

O Ramal Descalvadense

A expansão da ferrovia além da cidade de Jundiaí, após a desistência da São Paulo Railway (SPR), pela então formada Cia Paulista de Estradas de Ferro (CP) criou diversas situações que marcaram para sempre a história deste Estado. Conheceremos, então, um resumo sobre a primeira ferrovia agrícola do Estado de São Paulo, que foi fruto de todas estas articulações.

Trem parado na estação de Aurora aguardando retornar para Descalvado
Trem parado na estação de Aurora aguardando retornar para Descalvado

Os trilhos chegam às barrancas do rio Mogi-Guassú através do prolongamento da CP entre a estação de Continue reading

A Estrada de Ferro Vicinal do Ribeirão Preto

Talvez, de todos os ramais agrícolas estudados, este seja o que possui a história mais nebulosa, sem grandes menções oficiais e mesmo com pouquíssimas fotografias disponíveis à consulta, tornando a pesquisa uma das mais complexas ja executadas.

Foto de Fabrica da locomotiva número 1 "Rufino de Almeida" da EFVRP
Foto de Fabrica da locomotiva número 1 “Rufino de Almeida” da EFVRP

Sua história começa em outra ferrovia particular, a Cia Agrícola do Ribeirão Preto (CARP). Em fins do século XIX, era seu presidente o engenheiro civil Rufino Augusto de Almeida que, em assembleia geral de abril de 1895, por deliberação favorável a mudança da sede da cidade do Rio de Janeiro para São Paulo, decide pela sua demissão do cargo. Acredita-se que a visão de Rufino para a ferrovia da CARP era outra (entenda a história da CARP aqui). Possivelmente, Rufino tinha planos de expandir tal ferrovia, para atingir novas freguesias e possivelmente chegar ao sul de Minas Gerais, região também rica em cafezais.

Com esta visão, reúne um grupo de fazendeiros empreendedores da região de Cravinhos, não contemplados pelo sistema de transporte oferecido Continue reading

A Mogiana e a Usina Esther, uma história.

Talvez essa seja a última postagem do ano de 2012, e escolhi um tema que muito me agrada para isso, que é a arqueologia industrial, mais especificamente desvendar os segredos das locomotivas. A locomotiva da foto acima, vista em duas épocas, acima foto que eu tirei este mês (12/2012) e abaixo foto do acervo da usina, nas primeiras décadas do século XX (anos 20 ou 30). Esta pequena e simpática locomotiva é uma Sharp Stewart fabricada em 1888 sob número de série 3484 e número de estrada (na Usina Esther) 1.
Esta maquina é um certo mistério que, a grosso modo, é tida como “Ex Cia Mogiana” e ponto. Porém, alguns dados não batiam, tal como os números de série que, na CM, eram diferentes dela para as outras locomotivas “irmãs”. Fato é que, ao pesquisar nos relatórios da CM, deparei-me com uma informação bem interessante. Em 1897, no relatório número 45 no setor de locomoção aparece a informação “… cedida por esta Companhia à Companhia Carril Agrícola Funilense, a machina nº 27 da bitola de 0,60, foi encomendada para substituí-la uma locomotiva Baldwin do typo Mogul…”. Chego a conclusão que foi uma permuta entre a CM e a CCAF, para a construção desta ferrovia, que viria a ser inaugurada 2 anos mais tarde e, posteriormente alargada, daria origem as locomotivas e materiais da ferrovia da usina, que também foi fechada provavelmente no início dos anos 60. A pequena locomotiva foi posta em um pedestal na entrada da açucareira, e por la se encontra em muito bom estado, completa. Digo que é a locomotiva “monumento” mais inteira que eu já vi, levando em conta que até o vidro do nível de água esta no lugar inteiro!
Logo, podemos dizer que esta locomotiva pertenceu a 3 ferrovias, sendo Cia Mogiana de 1888 até 1897 sob número 27, Cia Carril Agrícola Funilense e Usina Esther de 1897 até o fechamento, sob número 1. Seu nome, “Dr Paulo Nogueira” em homenagem ao fundador da usina, cuja chama-se Esther em outra homenagem, desta vez a sua mãe.
Não posso afirmar categoricamente que estou coberto de razão, mas depois de comparar datas e números, e ler os relatórios, esta foi a conclusão mais próxima do que eu imagino ser o real. Esta locomotiva não foi a única permutada, houve outra, mas esta já é uma nova história.
Feliz 2013!