Considerações sobre a Estrada de Ferro Perus Pirapóra

Sucintamente, este é um pequeno histórico sobre uma das mais ricas e diversificadas ferrovias de bitolinha que existem. A EFPP reune um verdadeiro museu dinâmico com peças históricas que pertenceram a diversos figurões importantes, como Santos Dumont. Este será o primeiro documentário de uma pequena série sobre esta importante ferrovia de bitolinha em São Paulo.
Aguardem…!
As origens da E.F.P.P. remontam ao século passado, quando se iniciaram as explorações de cal na região entre Caieiras e Cajamar. Nos idos de 1910, a cidade de São Paulo, em expansão, exigia o uso cada vez maior de cal nas construções que iam sendo erguidas em ritmo acelerado. Os empresários Sylvio de Campos, Clemente Neidhart e Mário W. Tibiriçá decidem então criar juntamente com os Beneducci, uma empresa mista para exploração da cal produzida no Gato Preto, e para o transporte do produto final até a estação Perus da então São Paulo Railway. Em 26 de abril de 1910 concede-se ao grupo a autorização para construção, uso e gozo de uma estrada de ferro que, iniciando-se na Estação Perus da S.P.R. , vá terminar em Pirapora do bom Jesus.

No dia 5 de agosto de 1914 inaugurava-se o tráfego na Estrada de Ferro Perus Pirapora. Com pequenas alterações em relação ao traçado original e sem prévia autorização do Governo, construiu-se a partir do Entroncamento e em direção a Gato Preto, uma linha com 5 km e para o outro lado, um ramal de 3 km para o Bairro de Água Fria (Cajamar), este por sua vez com um sub ramal para o Bairro do Pires com 2,8 Km de extensão.

Em 1923, um grupo canadense procura áreas para a produção de cimento, escolhendo a região de perus para tal. Os proprietários, unidos a este grupo fundam então a “The Brazilian Portland Cement Company”. A partir de 1924, o nome Cia industrial de Estrada de Ferro Perus Pirapora deixa de ser usado, adquirindo o dístico “Estrada de Ferro Perus Pirapora”, por causa da empresa ter sido dividida em duas, uma parte cuidando da ferrovia e a outra a exploração do calcário.

Em 27 de novembro de 1951, a família Abdalla compra a B.P.C.C. incorporando também a ferrovia. Esta administrou a empresa até 1974, quando a União toma conta da ferrovia e a fabrica de cimento. Os Abdalla retomam as empresas em 1981, e decidem fechar definitivamente a ferrovia e a fabrica em 1983. Por iniciativa da A.B.P.F. (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) na década de 80 solicitam ao Condepahaat o tombamento da ferrovia e seu material, que, em janeiro de 1987 foi executado.

Atualmente, um grupo chamado “IFPPC” – Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultura – foi criado e tem a concessão de uso da ferrovia para fins de preservação. 
Após mais de 20 anos da EFPP parada e muitos desentendimentos, idas e vindas, os trens voltaram a circular. Melhor que isso, seu material histórico depois de empoeirar-se por esses longos anos na pedreira de Cajamar esta sendo aos poucos transportado para o “corredor”, local de nossas atividades. E tão logo quanto possível será restaurado e voltará a circular.
Nas próximas postagens, comentarei sobre uma história mais esquecida de EFPP e suas origens, seus trens de passageiros e de carga, e sua preservação.
(Texto retirado do livro do autor “O Trenzinho da Aurora” ).

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