Desgnações das classes, o começo de tudo

Como podemos designar uma locomotiva? Tudo no mundo tem um modelo, um numero de chassis, um código. Alguns produtos possuem todos estes ao mesmo tempo. É o caso das locomotivas, elas tem modelo, numero de chassis e código. A maquina ao lado, além de ter sido do Ramal Dumont, em SP, sob o numero de estrada #2, é uma maquina do modelo “Forney 0-4-2” com numero de série “9817” e código “6-8 1/3 C”. Certo, mas, o que é tudo isso?
Forney é uma designação para locomotivas de tramways, locomotivas que tem seu tender integrado ao corpo. São locomotivas para trechos curtos ou manobras, não tem uma grande autônomia por causa do tamanho diminuto de seus reservatórios de água e combustivel sólido.
Ja a parte do 0-4-2 é da classificação White, não possui um nome especifico para a rodagem (conjunto de rodas). Significa que, nesta rodagem, na frente da locomotiva não há nenhuma roda guia, por isso o “0”; seu conjunto de rodas de tração é composto por 2 eixos apenas, ou seja, são 4 rodas motrizes “4”; e em baixo da cabine há um truque guia – ou portante, pois suporta parte do peso da fornalha/cabine – com 2 rodas “2”. Dai 0-4-2.
O numero de série nem presciso explicar. É contado de 0 até o infinito, até acabar a produção das maquinas ou a fabrica falir. Tenho noticias de que a Baldwin passou do numero 60 000.
Agora, o código, esse é muito legal! 6-8 1/3 C….o que raios significa isso?? Simples. É uma locomotiva de 6 rodas, das quais 4 são de tração, estas por sua vez possuem o diâmentro de 28 polegadas, possuem a base rígida (distância total entre as rodas de tração, centro-a-centro) de 3 pés e 8 polegadas, possue um truque trazeiro de 1 eixo apenas, tem diâmetro do cilindro de vapor de 7 polegadas por 12 polegadas de curso, cabem 225 galões de água , pesa 15 ton e tem uma força de arrasto que varia, em nível, de 225 ton até 3% de rampa com 20 ton.
Bacana o que um simples código pode me mostrar, não? A ficha técnica quase completa da locomtiva. Vamos la, destrincha-lo.
As classes das locomotivas são designadas por esta combinação maluca de letras, numeros e frações. Cada parte tem seu sentido. As letras indicam o modelo e as dimenções, veja:
C = quatro rodas conjugadas e motrizes
D = seis rodas conjugadas e motrizes
E = oito rodas conjugadas e motrizes
F = dez rodas conjugadas e motrizes
Os primeiros algarismos do código referem-se ao numero total de rodas que a locomotiva possui. A fração que pode vir em seguida refere-se aos truques guias da maquina. Se aparecer a fração 1/3 indica que a maquina é do tipo “Forney”, com truque guia apenas na parte trazeira da locomotiva. Se aparecer a fração 1/4, significa que a locomotiva tem truque guia diânteiro e trazeiro. Após o primeiro numero e a fração, o segundo numero indica o diÂmentro e curso dos cilindros. Existe também um outro numero que eu não indiquei, este é mais dificil de aparecer. Se por acaso, depois da letra do código aparecer um outro numero, este indica a quantidade total de locomotivas daquele tipo que foram fabricadas – exemplo, se fosse 6-8 1/3 C 350, significa que deste tipo de locomotiva foram construídas 350 unidades.
Alguns outros dados adicionais vem em tabelas, claro, não temos poderes sobre-naturais pra lembrar de tudo. Mas da pra termos uma noção das medidas e capacidade da locomotiva só de olhar pra ela.
Mas agora, pra que tudo isso? Simples, imagine-se ha 70 anos atraz, chefe da manutenção ou da locomoção. Prescisa dar manutenção em uma locomotiva, ou comprar uma locomotiva pra sua ferrovia. Com esses códigoa vc tinha qualquer coisa que prescisasse, pois as peças das maquinas eram ajustadas e designadas de acordo com isso. Facilitava muito o trabalho.
Espero que agora todos possam bater o olho em uma locomotiva a vapor e tentar definir suas medidas e proporções só de olhar!…Façam o teste!
Abraços, até o proximo post…
Fonte: Livros da BLW, acervo do autor; pesquisa de campo, muita pesquisa.

Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

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