Desvendando o leito do ramal da Aurora

Esta montagem acima eu fiz após muito tempo de pesquisa, baseado em um mapa do IBGE de 1958, que segue anexo abaixo. O Ramal descalvadense partia da estação de Descalvado com destino ao bairro rural da Aurora, distante 13 Km, passando por algumas fazendas de café, sendo a mais importante delas a fazenda São Miguel, e passando também por outro importante bairro rural chamado Pântano. Com o fechamento do ramal em 1959, pouco tempo depois os trilhos foram arrancados e seu leito, em boa parte, virou estrada de terra. Anos mais tarde a cana englobou parte do leito também.
Assim que o trem saia, margeava o córrego da prata, fazia uma curva a direita chegando próximo a antiga estrada Descalvado  – São Carlos (Estrada Municipal DCV – 351), onde havia uma parada. Antes de cruza-la para atingir o Pântano, fazia um desvio a esquerda de aproximadamente 3 Km, atingindo a sede da fazenda São Miguel. Cruzava um dos afluentes do rio do pântano (que vemos no mapa como uma represa) e subia seguindo seu curso, cruzando a estrada municipal em nível. Atingia o bairro e fazia, novamente, uma curva a esquerda e descia para a aurora, cruzando novamente a estrada municipal.
Os pontos-chave para definição do leito foram a localização da estação da aurora no satélite, e a localização dos rios do pântano e seu afluente. Baseado nesses dois pontos, todo o resto foi fácil de visualizar, e cheguei a um traçado bem próximo do que era o ramal.
Alguns dados que que pude perceber depois de pronto. O leito, em pelo menos 70% existe ainda como estradinhas vicinais. A parte que mais sofreu foi justamente a grande curva para São Miguel. Parte dos córregos que margeava tornaram-se represas. De fato, a subida para o Pântano era muito forte (conheço a região). Por fim, a antiga estrada ainda existe em sua totalidade. A DCV – 351 era a única ligação entre os municípios naquela época. Atualmente, temos a SP 215, que é muito melhor, asfaltada e pedagiada.
Agora, resta ir a Descalvado e percorrer o que sobrou do leito, munido do mapa. Quem sabe não há algum “tesouro” escondido pelo leito?


Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

2 comments
  1. Muito legal, depois de tempo de pesquisas, você chegar a um resultado completo, e principalmente ter a generosidade de compartilhar!

  2. Também costumo fazer essas caças ao tesouro! E me emociono quando descubro uma ala de bueiro no meio do mato,imagino o esforço humano aí empregado e renovo meu amor pela história e pela ferrovia.
    Aguardando seus posts…

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