Inventário da bitolinhas do Brasil 1 (60 cm)

Nesta primeira edição do “Inventário das bitolinhas do Brasil”, com ajuda do livro quase homônimo da Memoria Ferroviária (Inventário das Locomotivas do Brasil – Regina Perez), consegui catalogar as locomotivas de bitola de 60 cm ainda existentes no Brasil.
Tenho duvidas de algumas informações no livro ainda, e pode ser que existam mais locomotivas ainda por ai, ou algumas delas com informações equivocadas. Porém, confiarei nas informações contidas no livro, que foi feito de maneira séria por profissionáis e estudiosos competentes, quais são meus amigos (A própria escritora, Regina Perez e o especialista Sérgio Mártire) que serve como boa base de estudos e pesquisas. recomendo a todos esse belo livro!
Vamos aos dados.
Na minha sub-pesquisa, das 419 locomotivas catalogadas (422 o total que eu conheço), 75 delas são em bitola de 60 cm (duas delas não estão catalogadas pelo inventário da MF), isso representa 17,7% do total. É um numero bem relevante apenas para elas. O estado de São Paulo concentra a maior parte delas, com 41 maquinas, 54,6%.
Os numeros são os Seguintes, na tabela abaixo.
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Estado – Quantidade de Locomotivas
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SP…………………..41
RJ…………………..07
MG…………………07
PR………………….04
PE………………….04
AL………………….04
RS………………….02
PA………………….02
MS…………………01
RN…………………01
ES………………….01
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Complementando esses dados, existem 3 locomotivas nesse índice que foram rebitoladas para 1 metro, 2 delas encontram-se em SP e uma no RJ. Tais maquinas pertenceram, respectivamente, a Cia Paulista, sob numero 921, compradas pela usina Serra Grande, em AL, rebitolada pra 1 metro sob novo numero de estrada 8, atualmente faz passeios em um parque na cidade de Taubaté, em SP. A outra esta em Osasco, de propriedade do Banco Bradesco, pertenceu a Estrada de Ferro Douradence e Cia Paulista. Foi rebitolada para 1 metro ainda na Cia Paulista, sob numero 861.
A terceira locomotiva que foi rebitolada encontra-se no RJ, pertence a um particular e esta em funcionamento. Originalmente essa locomotiva pertencia ao exército Americano, e foi vendida a usinas do rio, quando foi rebitolada, sob numero de estrada 62.
Dentre todas as pequenas locomotivas, o maior acervo pertence a Estrada de Ferro Perus Pirapóra, com 22 locomotivas (29,3%). Na ferrovia 20 locomotivas estão presentes, sendo que 2 delas estão “despatriadas” da ferrovia, uma no estado de Minas Gerais, em Além Paraíba, e outra na cidade de Dumont em SP.
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Fabricantes:
Diversos são os fabricantes, um total de 18 fabricas do mundo todo abasteceram as bitolinhas nacionáis, inclusive uma de fabricação nacional!
A esmagadora maioria é da Baldwin Locomotives Works, com 16 locomotivas, precedida da Orestain & Koppel / Decauville que, juntas somam 15 maquinas (11 e 4, respectivamente).
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Fabricante – Quantidade
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Baldwin……………………16
O & K……………………….11
Kerr Stewart…………….08 (6 dessas da classe “wren”)
Henschell…………………07
ALCO………………………05
Decauville………………..04
N/D…………………………05
Sharp Stewart…………03
Linke Hoffmann………02
H.K. Porter……………..02
Borsig……………………..02
Krauss…………………….02
Jung……………………….02
Usina Monte Alegre..01
Hunslet…………………..01
Le Meuse……………….01
Bagnall……………………01
Hohenzolern…………..01
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Uma das locomotiva não catalogadas no livro da Regina, perteceu a Cia Paulista sob numero de estrada 920, fabricante Linke Hoffmann, numero de série 3084. Ela encontra-se na “fila da morte” em Cajamar – SP, e somente seu longerão existe, sem caldeira e sem mais nada! Junto dela, uma pequena mogul (2-6-0) de origem desconhecida, americana provavelmente, também não foi catalogada.
A princípio, são então 75 locomotivas com bitola de 60 cm no Brasil todo, 41 delas em SP, quase todas catalogadas pelo Inventário das Locomotivas.
Este é um artigo que cabe muitas fotos, mas manterei apenas textos, eles são auto-explicativos, quem sabe não sai um livro…
Aguardem a proxima postagem com o volume 2 do “inventário das bitolinhas do Brasil”, 76 cm.

Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

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