Locomotivas 920 e 921, as alemãnzinhas da CP.

Estas foram as ultimas locomotivas compradas pela Cia Paulista para seus ramais de bitolinha. Sem duvidas foram as maiores e mais fortes de sua frota. Foram compradas da alemã “Linke Hoffmann Werke”, número de série 3084 e 3085, rodagem 2-6-2T, chegaram no Brasil entre setembro e outubro de 1927. Tais locomotivas chegaram na mesma época em que se extendia o ramal de Santa Rita entre as estações de Moema e Vassununga (em 1928 fora entregue). Este trecho distava-se quase 12 kilometros da última estação, e descia mais de 62 metros de altitude. O objetivo era atingir a Usina Vassununga (atual Santa Rita) para escoamento de sua produção de açúcar. O decreto n. 4202 de 10 de março de 1927, criado pelo Governo de São Paulo visiva “Obras novas e aumento de material rodante”. Provavelmente, atravéz deste incentivo, a CP fez esta modernização de material com a compra de locomotivas e ampliação do ramal.

Trabalharam por aproximadamente 33 anos pela Cia Paulista. Com o fechamento dos ramais de 60 cm em 1960, foram postas a venda. uma delas foi comprada pela estrada de Ferro Perus Pirapora (920 – SN 3084) e renumerada para 9. Seus tanques laterais de água e a chaminé balão foram retirados e um tender foi anexado. Contam os funcionarios antigos que, por ser uma locomotiva muito grande, balançava demais nas curvas e criava medo nos maquinistas, estes deixaram sua caldeira “queimar” para inutiliza-la. Atualmente apenas o longerão (chassis) existe, e esta aguardando salvameto na famosa fila-da-morte, em Cajamar. A foto abaixo esquerda é uma das raríssimas onde a alemã aparece como EFPP. Trabalhando ainda na CP, o autor deste possui apenas uma única foto, ao longe.

A outra maquina (921 – SN 3085) foi vendida para uma usina de açúcar no nordeste, a Serra Grande, no estado de Alagoas. Também renumerada, curiosamente com o número 8, porém, sua bitola foi alargada para 1 metro. Com o fechamento das atividades ferroviárias desta usina, a maquina foi novamente vendida e atualmente encontra-se na cidade de Taubaté em São Paulo, tracionando um trem turístico mantido pela prefeitura. Podemos vê-la na foto abaixo da direita. Atualmente esta é a única das bitolinhas CP que ainda fuinciona, e é a única que nunca parou de funcionar desde sua compra em 1927.

Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

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