O dragão de fogo e seu incrivél domador de cara preta.

Este pos será diferente. Ja pararam pra pensar o porque que as locomotivas a vapor impressionam tanto? uma vez eu escrevi algo, mas um amigo querido me passou este texto, sem autoria, que transcrevo agora, e passa bem o que muitos sentem. Só para constar. Estava eu com meus 12 anos, ja era sócio da ABPF desde os 9. Um dia vi uma locomotiva “nova” em Campinas. Era a 1170. Pretona, imponente, séria. Mesmo acostumado com as vaporeiras, senti um certo medo dela, um certo respeito. Leiam o texto, entenderão…
…A gente tem um trem na lembrança, m trem que chega ou parte. Um trem que passa, um trem que apita ao longe. Os trens da infância.
Os trens de antigamente tinham vagões de madeira, e as locomotivas eram pretas como o fogão de ferro. Saia fumaça pra tudo que era lado. Na plataforma da estação você olhava para o monstro, maravilhado. Ele estava vivo, mesmo parado fazia barulho e as vezes soltava aquela fumaceira toda como um rugido. Parecia um aviso para que ninguém se aproximasse dele. Um dragão negro mal-humorado.
Mas havia gente dentro do monstro. Incrivelmente havia gente dentro do fogão que não se queimava, ficavam pretas, mas não se queimavam.
Chegar perto da locomotiva era uma aventura. Falar com um daqueles homens então, era um feito eróico!
Até hoje você não sabe como teve coragem:
– Ele vai explodir? o homem não ouvia, o monstro não se calava.
– Ele vai explodir?!
– Não. Não tem perigo.
Fantástico. O homem falava como qualquer um! Podia ate ser seu pai. So que seu pai não tinha a cara preta. Nem o poder de ficar no fogo sem se queimar. Que raça estranha era aquela que dominava o fogo e o ferro e ainda falava com você como um pai?
-Ja vai sair?
-Daqui a pouco.
-Vai longe?
-Mais ou menos.
-Passa por rio?
-Passa por rio, atravessa montanhas, campos…
Fantástico! O mundo que você conhecia acabava ali, no primeiro morro. E aquele homem e seu dragão de fogo domado atravessavam montanhas todos os dias. Como o seu pai ia ao trabalho ou você pra escola, eles iam todo dia.
A profissão dele era ir embora. A pergunta que estava na ponta da língua e você fez:
-Posso ir junto?
Você espiava para dentro do mosntro. Via alavancas, torneiras e relógios. No resto da sua vida, nunca uma maquina lhe pareceu tão misteriosa. Um dia veria os controles de uma locomotiva moderna e pensaria, “perdeu a graça”…

Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

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