O sistema Vauclain Compound

O inventor do sistema “compound”, ou COMPOSTO, foi o Sr. Jonathan Hornblower em 1776. O princípio foi criado basicamente visando a economia de vapor, água e combustível, utilizando-se o mesmo vapor duas ou mais vezes antes de devolvê-lo a atmosfera.

Seu uso prático em locomotivas somente foi utiliza-do em 1850 pelo Sr John Nicholson. Ele construiu e operou a primeira locomotiva compound.

As primeiras locomotivas desse sistema possuiam, em sua maioria, 2 cilindros independentes trabalhando em conjunto, um de cada lado da locomotiva. De um lado um cilindro menor para a “alta pressão”, e de outro, um cilindro maior, em média 2/3 do tamanho a mais, um cilindro de baixa pressão, que se utilizava da expansão do vapor ja utilizado pelo primeiro cilindro. Somente após este percurso que o vapor era descarregado para a atmosfera. Este tipo de sistema foi utilizado, sem grande sucesso, por muitos anos ainda, em locomotivas articuladas do tipo “mallet”. O desenho do circuíto de vapor do sistema comum, de dois cilindros pode ser visto ao lado.

O progresso do sistema de locomotivas compostas foi lento pelos 50 anos seguintes a 1850. Sempre existiu uma grande diversidade de opiniões entre locomotivas simples e compostas. O principal alibe das locomotivas compostas era a sua grande economia de combustível – e trabalho. Mas contrario a isso, este foi um sistema que exigia uma manutenção muito maior e mais complicada.

O dito sistema Vauclain foi criado por Samuel M. Vauclain, um membro da firma Messrs. Burnham. Williamn. & Co., firma esta de propriedade da Baldwin Locomotives Company. Diferentemente do sistema convencional, o sistema Vouclain utiliza 4 cilindros, dois de alta e dois de baixa pressão, sendo 2 cilindros de cada lado da locomotiva, na mesma cela, um embaixo do outro, unidos pela mesma cruzeta. A valvula de distribuição encontra-se no meio deles, e atravéz dela o vapor passava de um cilindro ao outro. Neste caso, o vapor utilizado no cilindro de alta pressão, em sua exaustão, é imediatamente utilizado pelo cilindro de baixa pressão do mesmo conjunto. Somente após esta utilização ele é exaurido para a atmosfera. O circuíto do vapor deste sistema é descrito no primeiro desenho que ilustra o artigo. Este foi um sistema revolucionário, pois a locomotiva tinha seus lados independentes, como em qualquer outra maquina de simples expansão. Um sistema que visava uma grande economia de vapor em seu trabalho e não necessitava do complexo sistema de válvulas, presentes nas locomotivas compostas tradicionais. Para a partida do sistema, apenas uma válvula era acionada, neutralizando o sistema compound para que a locomotiva partisse, após a inércia de partida, com a locomotiva em movimento, esta valvula era desligada e o sistema composto entrava em ação, como podemos observar na foto abaixo.

Para as locomotivas de pequeno porte eram um sistema ideal pois, com suas diminutas caldeiras e pequenos reservatórios de combustivel sólido e liquido, sua operação era customizada e melhorada. Infelizmente foi um sistema que caiu em desuso por falta de capacitação profissional. Tanto a operação, que requeria uma certa habilidade do maquinista em sentir o “tempo” da locomotiva para a colocação dela em marcha, quanto da equipe de manutenção. Ja dito foi que este é um sistema que exige alta manutenção, do contrário os vazamentos e ecentricidades das peças podem tornar o sistema completamente ineficáz. Isto levou a muitos proprietários desistirem deste sistema e encomendarem ao fabricante os conjutos completos do sistema de reversão convencional, com dois cilindros de simples expanção.

Por fim, no Brasil, todas as locomotivas que chegaram com o sistema Vauclain Compound foram transformadas para maquinas simples. Apenas um trator a vapor, que se encontra em Osasco-SP, em exposição no Bradesco (cidade de Deus) ainda possui o sistema instalado. As locomotivas foram modificadas poucos anos depois de chegarem aos donos, a exemplo, a Cia Mogiana, Cia Paulista, Sorocabana, todas estas ferrovias possuiram locomotivas que foram modificadas, o que é uma pena, pois o Vouclain é um sistema maravilhoso, muito bem pensado e que, se bem operado e com boa manutenção, funciona muito bem!

Abaixo, a foto de fabrica da locomotiva numero 3 do Ramal Dumont, Baldwin de 1898, numero de fábrica 11892, 0-6-0 orginal. A Cia Mogiana, dona do Ramal Dumont, quando da midificação do sistema Vauclain também a modificou para 2-6-0. Notem na foto a cela do cilindro, com o cilindro de baixa pressão acima do cilindro de alta pressão, e sua cruzeta dupla.

Esta bela locomotiva ainda existe na Estrada de Ferro Perus Pirapora, numero de estrada 11, e encontra-se sob tutela do IFPPC (instituto de ferrovias e preservação do patrimônio cultural).

Informações compildas e escritas com base nos livros da Baldwin Locomotives Co., sobre locomotivas de bitola estreita, do acervo particular do autor. Fotos retiradas destes livros.

Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

1 comment
  1. Muito interessante.

    Lourenco

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