Os primórdios esquecidos da Estrada de Ferro Perus Pirapora

A ferrovia se originou para o transporte do cal que era produzido no bairro do Gato Preto, até os trilhos da SPR no bairro de Perus. Até ai todos conhecem e aprovam. Mas a ferrovia pode remontar de antes disso. Este primeiro registro oficial é da abertura da ferrovia – EFPP – em 20/10/1912.
A partir destas proximas linhas, exponho uma tese sobre o anterior a origem da EFPP. Não é nada oficial, serão apenas especulações. Algumas partes desta tese são originais, no que diz respeito a demolição da ponte e desativação dos fornos.
Esta tal “frabrica de cal” do Gato preto é mais antiga que isso e teve sua prórpia e pioneira ferrovia, com locomotivas e vagonetas, pontes e tudo mais.
A esta ferrovia atribuo o simples nome de “Cia Cal”. Não é oficial, mas a chamo assim. Esta pequena ferrovia “decaulville”, que imagino existir desde 1903, data das primeiras locomotivas Krauss da ferrovia, transportava o calcario estraido nas pedreiras “do Pires” e “da água fria” para os fornos instalados em Gato preto. Nesta primeira foto podemos observar uma perpectiva geral do bairro, mostrando a usina de cal na direita da foto. Podemos ver 6 fornos, 5 em funcionamento e outro, maior, apagado (este, por sinal, é o unico que ainda existe). Ao fundo, a enorme ponte de ferro que dava o acesso ao abastecimento do calcario, via ferrovia. Do lado esquerdo da foto, podemos ver um outro forno. O bairro em si era um importante local, havia uma população numerosa para a época, chegou a ter clube escola e tudo mais (veja mais em www.estacoesferroviarias.com.br/lugaresesquecidos/gatopreto.htm ).
Estes fornos eram localizados em alguns pontos do bairro, e eram abastecidos por cima. Esta operação gerou uma paisagem bem interessante. No patio havia uma ponte treliçada enorme. A ferrovia seguia em “zigue-zague” para vencer a forte rampa e atingir os fornos. Nesta segunda foto, vemos o forno que era mais afastado, ainda em construção.
Esta pequena linha acima dele, onde se encontram algumas vagonetas era a linha que dava acesso a bela ponte. O trem saia do patio, cruzava o local onde atualmente a Via Anhanguera passa, manobrava-se e o trem e subia, passando pela ponte e descarregando o calcario nos fornos.
O complexo ferroviário do Gato Preto era muito interassante. Para frente do bairro, sentido “bairro do Taboão” (atual Jordanésia) havia uma fábrica de celulose, que era servida por um ramal da ferrovia. Toda a lenha extraída das cabeças das pedreiras eram levadas para esta fabrica. Existem, também, comentários de antigos que havia mais uma pedreira para além do forno (este que vemos na foto acima). Realmente, se eu fosse um acionista daquela época, vendo uma cidade em crescimento acelerado – São Paulo – exigindo o cimento para tal, e um bairro com muito potencial, uma enorme usina de cal, um complexo ferroviário ativo, sem duvidas investiria em uma ferrovia para escoar isso tudo, e ganharia muito dinheiro! Não só esse trecho era interessante, mas “na água fria” – Cajamar – a história era parecida, com a ferrovia servindo a pelo menos 2 pedreiras, mostrando uma planta ferroviária bem grande também.

Estes poucos 5 km lineares de ferrovia da “Cia Cal” foram, sem duvidas, os precursores da nossa querida EFPP. Na ultima foto desse post podemos comparar as épocas, com um trem tracionado por uma 2-4-0 ja na época da EFPP, e uma pequena Krauss na ponte treliçada. Este trem mostra os primeiros trens da ferrovia, com vagões fechados para transportar os sacos de cal produzidos, e um pequeno carro de passageiros. Nesta foto observamos também na parte esquerda o outro forno mostrado na segunda foto deste post.
Ali, o trem chegava, a locomotiva manobrava e girava no triângulo, pegava os vagões carregados e voltava pra perus. Até pelo menos o começo da década de 20, essa foi a principal operação da Estrada de Ferro Perus Pirapora, em si, com todas as outras operações em conjunto com a antiga “Cia Cal”.
Desta foto, quase nada restou atualmente. Os contrafortes direitos da ponte treliçada ainda estão la. A ponte mesmo sucumbiu na construção da Via Anhanguera, assim como o forno. A via Anhanguera passa pela foto cortando o morro bem na altura dos contrafortes esquerdos da ponte, esta linha que vemos desviando existiu até a década de 70, e os trens a utilizavam passando por debaixo da rodovia. A linha onde o trem esta parado foi utilizada até o fim da ferrovia, ainda esta la, debaixo de terra. As operações de abastecimento dos fornos, após a construção da rodovia, foram desviadas da ponte para o sentido Cajamar, criando uma subida e tanto, que também não duraram muito, na década de 70 a histórica Usina de Cal do Gato Preto fechou, assim como o bairro que decaiu, pois foi dividido ao meio. Aquele ponto virou apenas “ramal do gato perto”, e os trens somente ali chegavam para irem a oficina. Que eu saiba, tudo aquilo ali será loteado e tornar-se-á um condomínio fechado. É o fim do Gato Preto, mais de 100 anos de história fechados e esquecidos. É uma pena.
As fotos deste capítulo pertencem ao albúm oficial da inauguração da ferrovia, pertencia a um membro falecido da ABPF, sr Carlos Renato Gonschior.
No proximo post, ja com informações oficiais, o período além década de 20, e seus trens com a criação da fabrica em perus.
(agradecimentos ao amigo Julio de Morais).

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