Passeando pelos trens da Aurora e Vassununga.

 
Companhia Paulista
Ramal de Descalvado e Aurora
 
Sai de Cordeiros. Bitola de 1,60 até Descalvado. Desta cidade parte o Ramal de Aurora. Bitola de 60 centimetros. Comboio mixto. Liliputiano. Oito lugares de primeira classe. Bancos laterais na de segunda.
Fazendas. Colinas. Em Pântano ha uma queda-da-água de 60 metros de altura. Lindo! Em Aurora, ponto terminal, esta instalado o Horto Florestal da Companhia.
O Chefe de trem acumula as funções de estafeta postal. Conversa bem.
 

Ramal de Vassununga
 
Sai de Pôrto Ferreira. “Aqui fica Santa Rita. Então a cidade é isto?” Confesso-o que não esperava. Jardins com sombreados deliciosos. Bars. Sorveterias. Bancos. Bonita deveras.
No Ramal de Descalvado, desapontaram-me um pouco, Descalvado e Pôrto Ferreira. Esperava outra coisa. Pirassununga supera Santa Rita. O seu centro tem ar civilizado. Algumas ruas calçadas. Bars em quantidade. Sorveterias elegantes. Cafés esplendidos. Um belo cinema. Excelente Hotel Municipal, onde me hospedo.
O trenzinho do ramal de Vassununga que, na zona chamada de Santa Rita é, também liliputiano. Bitola de 60 centimetros. Os carros, porém, são mais largos. No compartimento de primeira (o carro é mixto como o trem) há, apenas, 15 lugares. De palhinha sem estofo. Incomodos. O lavatório e o “gabinete” ficam dentro do próprio carro, isto é, ocupam, de um lado, o espaço dos bancos… No Ramal da Aurora, não: ficam, como sempre sucede, na linha divisória dos carros chamados mixtos.
De Santa Rita voltei a Pôrto Ferreira, de jardineira. E tomei outra para Pirassununga.
Araras é grande. Não tem os recalques urbanisticos das velhas cidades paulitas. Duas praças ajardinadas bem bonitas. Araras tem, ao que parece, o primado da industria de laticinio. Leme é um taboleiro. Totalmente plana como Pôrto Ferreira. Mas muito mais bonita. Extremamente simpática.
 
 
Este texto acima, transcrito na íntegra, foi retirado da revista “Nossa Estrada” de novembro/dezembro de 1944, do setor “viagens”. Escrito por Luiz Correa de Mello, que viajou por toda a ferrovia descrevendo aquilo que vivenciou. A expressão “Liliputiano” utilizada era comum na época, sinônimo de “pequeno”. De fato, em comparação aos grande trens e composições da bitola larga, os trens dos ramais eram minúsculos. É um covite, seco e sem romance, de viajar pelos ramais de Aurora e Vassununga. As fotos que ilustram mostram, em ordem, os exatos trens que Luiz C. Mello andou. A foto de cima o trem da Aurora, e a de baixo o de Vassununga. Mesmo com a “crítica” imposta ao “trem liliputiano”, não posso deixar de pensar: “Ah! que inveja!!”.

Post a comment

You may use the following HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>