Preservação estática também é válida.

Muitas vezes fala-se de “preservação ferroviária”, que logo em seguida é associado ao “trem turístico”. Na minha concepção, um é completamente diferente do outro, mas podem sim andar de mãos dadas, ja que “turismo” pode ser feito em trens históricos, aliados a preservação, ou em trens modernos, construidos, inclusive, com essa função específica, pelo simples prazer de andar de trem, seja admirando a paisagem, ou em um tour dentro de um parque temático.

Digo isso pois ha uma forma secular de preservação que quase nunca é assimilada como preservação, que é a preservação estática (museus do mundo todo fazem isso a séculos, com os mais variados temas). Não é só por que esta parado que não esta preservado, ou mesmo não funcione, e vice-versa. Acredito que é um fim tão nobre quanto uma locomotiva estar em um pedestal (desde que bem cuidada) como simbulo e homenagem de tempos longíncuos e pioneiros.

Este ultimo sábado, dia 03/09/2011, fiu com um amigo fazer um raid fotográfico em Santos – SP. Distânte 50 km aqui de casa, foi um dia memorável. No fim do dia paramos nas instalações do “Museu do Porto de Santos”, que se não me engano era sede da Cia Docas de Santos (CDS, posterior CODESP). La esta preservada sua locomotiva numero 1. Também é uma bitolinha, mas com 80 cm

É uma velha senhora alemã, com seus 122 anos. Fabricada pela Krauss sob número de série 2092, e número de estrada 1. As maquinas da bitolinha CDS (pois haviam locos de outras bitolas) eram todas nomeadas, com belos nomes, inclusive. Diria que, particularmente, são os nomes que mais gosto em locomotivas no Brasil. Esta leva a “LAVOURA”, mas existem outras, tais como a Jabaquara, Vallongo, Commercio, etc. Todos os nomes são baseados em situações do cotidiano industrial, ou arredores do porto (tal como Jabaquara, que era o nome de uma pedreira).

Esta maquina “parou funcionando” e foi posta em pedestal. Esta completa e pronta para circular, se necessário. Evidentemente que a manutenção deverá ser realizada, pios pelo menos 10 ou 15 anos a separam de seu ultimo apito (ela circulou por ultimo na Usina de Itatinga, até o fim dos anos 90).

Este, pra mim, é um dos melhores exemplos de preservação ferroviária estática que temos hoje. Claro que existem outras maquinas nessa situação, e também em situações piores, mas ai ja não é mais preservação, e torna-se outra história.

Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

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