Reencontro histórico!

Hoje foi um dia de trabalho muito bom na Estrada de Ferro Perus Pirapora. Na última viagem tivemos a grata surpresa de recebermos esses dois senhores da foto acima. A esquerda senhor Joaquim dos Santos, e a direita senhor Antônio de Castro, com 86 anos cada um. Ambos foram maquinistas no, acreditem, Tramway da Cantareira! E para que a história fique melhor, os dois operaram maquinas da bitola de 60 cm, e da métrica. Interessante é que, quando um deixava a locomotiva, o outro assumia a mesma. Na bitolinha, trabalharam na maquina #14, e na métrica na maquina #501. Começaram como limpadores, passaram a acendedores, se interessaram em seguir carreira na maquina, passaram a foguistas e depois maquinistas! Ufa, dura pena para alcançar o cargo mais desejado na ferrovia! Quando o TC fechou, foram transferidos para a escala de Barra Funda, onde sr Joaquim ficou, e sr Antônio pediu transferência na baixada, para a linha de Santos a Juquiá. Mesmo depois de aposentado, trabalhou por 1 ano no Iraque, com maquina a vapor, e retornou. O sr Joaquim, depois que se aposentou, foi trabalhar na Cia Docas de Santos, também como maquinista de vapor. Pararam por ai, e hoje, mais de 30 anos depois, foi emocionante vê-los olhando para a locomotiva acesa com um brilho de criança nos olhos.
Eu não resisti, e ofereci a cada um deles a oportunidade de dar uma “voltinha” com a maquina dentro do pátio. Vejam só a honra que eu tive! Incrível foi ver esses dois veteranos fazendo aquilo que eles melhor fazem na vida, e aquilo que foi, literalmente, a vida deles. A mão dos dois esta ótima ainda! E o sr Antônio não segurou algumas lágrimas quando apitava a locomotiva!
Na foto acima, uma pose dos maquinistas em frente a locomotiva número #17, ex Tramway da Cantareira número #2.
Como é a paixão pela profissão de maquinista, os dois carregam em suas carteiras, impecavelmente, suas fotos com trajes de maquinistas batida na época da EFS, como vemos abaixo o sr Antônio.
E as surpresas não pararam. O sr Joaquim trouxe com ele uma de suas relíquias, uma foto que ele guarda desde 1953, batida na linha do girador de Guarulhos, em cima de “sua” locomotiva, a #501. Vejam ele (a direita) e seu foguista na época, um outro Joaquim, mas este Joaquim da Silva Bueno (a direita da foto). Refotografei na hora!
Pois é. A conversa foi longa, filmamos uma parte dela que ainda pretendo editar e colocar no youtube. Vivenciar parte da história de alguém, e, melhor, conhecer a “história viva” não tem preço. A conversa foi longa, impossível descrever tudo em uma postagem de blog. Mas fica o registro, onde posso afirmar que eu conheci dois maquinistas do TC da época da bitolinha, e, detalhe, os dois últimos que estão vivos ainda! Muito obrigado pela visita de vcs!! Abaixo, eu no meio dessas lendas, babando!


Leandro Guidini é um jovem apaixonado pelas ferrovias do Estado de São Paulo. Desenhista industrial por formação, atua na área da Arqueologia Industrial, pesquisando temas vinculados à ferrovia e fazendas de café, importante binômio do desenvolvimento paulista, sendo autor de livros e artigos. Em suas horas vagas, conduz algumas das velhas Maria-fumaças preservadas na cidade de São Paulo e pratica ferreomodelismo.

6 comments
  1. Leandro, obrigado pela postagem. Esses encontros não têm preço pelo que eles nos trazem de emoções. Além do quê as informações históricas que esses senhores lhe presentearam, com certeza também não têm preço.
    Parabéns! E quando tiver mais material, poste por aqui,

  2. Caro Leandro, essa atitude de contatar essas pessoas e trazê-las de volta ao seu meio, à sua natureza, é mais que simplesmente meritória, pois ultrapassa o respeito por dois venerandos e dignos senhores. Essa foto em que vemos você, que não chegou aos 30 anos, convivendo e aprendendo com eles, que beiram os 90, sintetiza o propósito do Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural, que é a transmissão de valores, tradições e conhecimentos nascidos nessa mundo que é a ferrovia, entre muitas e muitas gerações. Meus abraços e agradecimentos. Julio Moraes.

  3. Leandro, deve ter sido uma grande honra para você e toda a equipe da EFPP poder proporcionar a esses dois testemunhos da história ferroviária a oportunidade de manejar de novo o que foi a paixão e o ganha-pão da vida deles. E a oportunidade de conhecer as histórias do TC e da Sorocabana com quem as viveu ajudou a escrever, é algo que não tem preço.
    Parabéns!

  4. Caro Leandro, belo trabalho esse seu de resgatar não só a memória dessa ferrovia como também trazer´pessoas chaves para manter essa memória viva.
    Parabéns!

  5. Olá, parabéns pelo trabalho! Será que a locomotiva #501 é a mesma que tenho procurado, há uma foto de meu avô nela, acho que não consigo anexar por aqui…

    1. Thiago, entre em contato comigo pelo guidini@gmail.com , quem sabe posso te ajudar nesta busca. Abçs!

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