O ramal de Serra Negra

Tomaremos nota hoje a respeito de outro curioso ramal ferroviário. Desta vez citaremos a Cia Mogiana e seu pitoresco ramal de Serra Negra.  Como é sabido, as novas fronteiras agrícolas e a marcha do café na região de Campinas despontaram em meados do século XIX e, neste cenário, tornava-se natural a eclosão de novas cidades fundadas pelos descendentes dos desbravadores brasileiros originais que, frustrados na procura do já escasso ouro, viam futuro adquirindo sesmarias em locais mais ao sul da região mineradora, e empreendiam nas novas terras, com benfeitorias e novas atividades agrícolas, fato que culminou no segundo ciclo do açúcar paulista, e posteriormente deixaria tudo preparado para a referida chegada do café.

Trem de passageiros chegando na estação de Serra Negra

Este é o caso de Serra Negra. Oficialmente a cidade é fundada em 23 de setembro de 1828, com a autorização para elevação de uma capela por Lourenço Franco de Oliveira, no entanto,

A Estrada de Ferro Vicinal do Ribeirão Preto

Talvez, de todos os ramais agrícolas estudados, este seja o que possui a história mais nebulosa, sem grandes menções oficiais e mesmo com pouquíssimas fotografias disponíveis à consulta, tornando a pesquisa uma das mais complexas ja executadas.

Foto de Fabrica da locomotiva número 1 "Rufino de Almeida" da EFVRP
Foto de Fabrica da locomotiva número 1 “Rufino de Almeida” da EFVRP

Sua história começa em outra ferrovia particular, a Cia Agrícola do Ribeirão Preto (CARP). Em fins do século XIX, era seu presidente o engenheiro civil Rufino Augusto de Almeida que, em assembleia geral de abril de 1895, por deliberação favorável a mudança da sede da cidade do Rio de Janeiro para São Paulo, decide pela sua demissão do cargo. Acredita-se que a visão de Rufino para a ferrovia da CARP era outra (entenda a história da CARP aqui). Possivelmente, Rufino tinha planos de expandir tal ferrovia, para atingir novas freguesias e possivelmente chegar ao sul de Minas Gerais, região também rica em cafezais.

Com esta visão, reúne um grupo de fazendeiros empreendedores da região de Cravinhos, não contemplados pelo sistema de transporte oferecido

A ferrovia da Fazenda Chimborazo

Para começarmos a falar da Estrada de Ferro Chimborazo (EFC), como a chamaremos, temos que abordar uma outra história, de uma grande organização rural existente em fins do século XIX e meados do XX, a famosa CARP – Companhia Agrícola do Ribeirão Preto.

Trem da CB descarregando sal em um dos terreiros da fazenda Chimborazo.
Trem da CB descarregando sal em um dos terreiros da fazenda Chimborazo.

Não irei me aprofundar nas questões pertinentes à cia, mas é de extrema importância que seja levado em consideração um resumo do que ela foi. As histórias envolvendo a CARP e sua ferrovia infelizmente são cheias de lacunas por ser esta uma empresa privada, não exigindo concessões estaduais ou federais, dificultando a pesquisa.

 

Breve histórico da CARP.

A CARP foi uma empresa criada em 1888 por um grupo de investidores financeiros do Rio de Janeiro, com chamada de capital de aproximadamente 4000 debêntures no valor médio de 150 réis, sendo autorizado o pagamento de resgate pelo Banco da Republica do Brasil em 28 de fevereiro de 1894. Em primeiro de a

The São Paulo Coffee Estates Company

Corria o ano de 1893, quando em 5 de dezembro, Antônio Clemente Pinto Filho, o Conde de São Clemente, residente no Rio de Janeiro, compra uma porção de terras em solo paulista, compreendendo algumas fazendas cafeeiras, sendo as fazendas: Chanaan, Santa Olympia, Posses e São Joaquim.

são paulo coffee estates

Todas estas fazendas localizavam-se, naquela época, no município de São Simão, em zona mogiana, possuindo uma enorme produção de café. A grande demanda na produção leva ao fazendeiro a criação de uma ferrovia agrícola, ligando parte de suas fazendas aos trilhos da Cia Mogiana de Estradas de Ferro (CM), em sua estação mais próxima, de “Serra Azul”, que em 1898 altera seu nome para “Canaã”, de modo que não houvesse confusão com a nova estação da Estrada de Ferro São Paulo Minas, mais próxima à cidade de Serra Azul.

Panorâmica da fazenda Canaã, com destaque ao trem no centro da foto.
Panorâmica da fazenda Canaã, com destaque ao trem no centro da foto.

A ferrovia correria toda dentro da zona de privilégio da CM, desta forma, em 19 de novembro de 1895 fora lavrada uma escritura no segundo Tabelião do publico judicial de notas da cidade de Campinas entre o presidente