O Ramal Descalvadense

A expansão da ferrovia além da cidade de Jundiaí, após a desistência da São Paulo Railway (SPR), pela então formada Cia Paulista de Estradas de Ferro (CP) criou diversas situações que marcaram para sempre a história deste Estado. Conheceremos, então, um resumo sobre a primeira ferrovia agrícola do Estado de São Paulo, que foi fruto de todas estas articulações.

Trem parado na estação de Aurora aguardando retornar para Descalvado
Trem parado na estação de Aurora aguardando retornar para Descalvado

Os trilhos chegam às barrancas do rio Mogi-Guassú através do prolongamento da CP entre a estação de

Estação de Procópio Carvalho – reflexões.

Neste final de semana, dia 30 de junho de 2012, foi prestigiar a inauguração do Museu Público de Descalvado (SP), qual participei escrevendo o painel sobre a ferrovia na cidade. Findada a cerimônia, parti com meu pai e um amigo para um tour por alguns locais onde um dia o trem passou, tanto no ramal descalvadense, como de Santa Rita e o ramal de Descalvado.

Estação de Procópio Carvalho, antiga Tombadouro, em 1956
Estação de Procópio Carvalho, antiga Tombadouro, em 1956

 

A mesma estação, 56 anos após, em 2012
A mesma estação, 56 anos após, em 2012

As fotografias acima tem uma defasagem de 56 anos apenas, sendo a primeira tomada em 1956 por Américo Persin Filho, e a segunda em 30/06/2012 por eu mesmo, Leandro Guidini. Desde a data da foto de 1956, o ramal de Santa Rita ainda perdurou por mais 4 anos, oficialmente, e a estação esteve desativada dali em diante. Milagrosamente, ela sobreviveu a esses 52 anos com manutenção praticamente zero!

Este é o prédio, com 113 anos de idade, que foi inaugurado em 1/12/1899, é um dos mais antigos que ainda estão de pé, e um dos dois únicos sobreviventes deste ramal. Originalmente, chamava-se “Tombadouro”, que mais tarde em 1934 foi alterado para o atual “Procópio Carvalho”, em homenagem a um importante fazendeiro da região, fundador do ramal em questão. Sua construção utilizou material de demolição de 2 portos da navegação fluvial da Cia Paulista, “Cedro” e “Cunha”, e à frente da empreitada sr João Julião.

Um pequeno pátio a sua frente, com apenas a linha principal e um desvio de 146 metros de extensão e 2 chaves. Ficava no Km 17 + 293 a uma altitude de 646 metros. Fiquei imaginando, ao chegar no local, o esforço que as pequenas locomotivas faziam para atingi-la, já que, entre Porto Ferreira e ela havia um desnível de 96 metros, e entre ela e Santa Rita do Passa Quatro um desnível de 113 metros, em uma linha bastante sinuosa.

estacao_procopi_carvalho_sem_data_acervo_leandro_guidini

Na foto acima vemos um trem proveniente de Santa Rita. Quem traciona é uma das locomotivas s da série 900. Sua plataforma esta cheia, e é interessante pensar nisso, já que o local onde esta estação esta hoje é bem pouco habitado, isso me reflete ao êxodo rural, que foi muito forte nesses últimos anos.

A plataforma da estação, abandonada
A plataforma da estação, abandonada

 

A porta da agência, e a janela da antiga bilheteria, com o pequeno guichê
A porta da agência, e a janela da antiga bilheteria, com o pequeno guichê

 

A antiga casa da turma de manutenção de via
A antiga casa da turma de manutenção de via

A pequena estação nada mais é que um barracão enorme, com armazém integrado a casa do chefe e escritório do movimento. Preserva todas as suas feições originais, com destaque a pequena bilheteria da estação, uma abertura na janela somente. O local é muito bucólico e charmoso. Ainda resta a casa de turmas, sem modificações. Trata-se da turma 182 da 7ª e 8ª seção de Porto Ferreira na 2ª residência de Pirassununga. Tomavam conta do trecho Ibó – Sta Rita, em algo com aproximadamente 8500 metros de extensão.

Uma pena isso tudo jogado no meio do mato, sempre no risco de desaparecer em um incêndio ou ir abaixo pela ação do tempo…